
Diversidade de práticas - Unidade da mediação

A Mediação de conflitos: Diversidade de Práticas –Unidade da Mediação
No dia 19 e 20 de Maio 2008 realizou-se o II Seminário Internacional de Mediação de conflitos, em Gondomar, promovido pela Associação Fòrum-Mediação
No dia 19 de Maio, diferentes entidades promotoras da mediação ao nível nacional reuniram em volta do painel Olhares sobre a mediação em Portugal, partilhando experiências e práticas da mediação mas também colocando questões pertinentes e críticas sobre a forma como a mediação está a ser implementada no nosso país nomeadamente no sistema judicial.
Foram abordadas, no segundo dia, as interacções entre a mediação e o sistema judicial, na concepção do jurista e articulação com a função do mediador bem como os limites da mediação nomeadamente nos casos de violência doméstica.
Nos “Outros Olhares europeus sobre a mediação de conflitos”, Joan Sandra Montes, partilhou a sua experiência enquanto mediador no âmbito da mediação comunitária, penal e formador na Catalunha.
António Louro trouxe-nos o ponto de vista do mediador que trabalha há vários anos em Inglaterra na Academy of Experts para quem a mediação é um instrumento que permite que as partes possam viver e continuar as suas vidas. Questionou a dimensão voluntária da mediação que em Inglaterra é obrigatória dentro de certos parâmetros, levantando a questão dos parcos recursos à mediação no nosso país. Por outro lado, proporcionou um início de reflexão sobre a formação, a inscrição na prática e supervisão dessa prática. Terminou sobre uma explanação sobre as funções do mediador enquanto gestor da comunicação, gestor de conflitos, suporte na procura de soluções.
Jean-Louis Lascoux explanou a sua abordagem da mediação enquanto uma disciplina integral que se inscreve enquanto agente de contra-cultura contra os poderes instituídos, enquanto nova forma de pensar as relações humanas e a evolução do pensamento humano. Muitos reivindicam a mediação e mediadores, mas segundo este mediador, a mediação é uma disciplina na sua integridade se distancia das grelhas normativas das interpretações do comportamento humano. Representa uma mudança de paradigma que se inscreve numa prática profissional que não se improvisa que necessita de uma formação específica, um modo específico de pensar e intervir com instrumentos estruturados e competentes.
Em síntese este segundo seminário permitiu uma abordagem das quatro grandes dimensões da intervenção do mediador:
- A mediação conhecimento: com a explanação de aspectos mais práticos e técnicos relativos à intervenção específica do mediador nos ateliers de mediação familiar, dinamizados por Anabela Quintanilha e Vera Barrias, bem como no atelier de mediação laboral dinamizado por António Louro. No atelier sobre a comunicação da prática da mediação, dinamizado por Jean-Louis lascoux, foi explanada a estruturação de uma entrevista de mediação segundo o seu modelo de intervenção;
- A Mediação comunicação em que o mediador enquanto pedagogo da comunicação restabelece relações de confiança, dimensão analisada ao longo das diferentes intervenções efectuadas;
- A Mediação educativa: intervenção numa lógica de educação para a cidadania desenvolvida no atelier mediação escolar promovido por Fernando Rosinha;
-A Mediação securização enquanto instrumento de controle e restauração da paz social, acalmar as tensões na sociedade e nos serviços, pouco explanada mas presente em muitos modelos de intervenção relacionados com o sistema judicial.
Os mediadores enquanto actores do intermediário, para além do sistema judicial, devem ter a preocupação de difundirem e inscreverem a sua actividade na sociedade civil. È com esse objectivo que se realizou este segundo seminário em parceria com a Câmara Municipal de Gondomar http://www.cm-gondomar.pt/ e a Rede Europeia Anti-Pobreza http://www.reapn.org que tem vindo a desenvolver esforços para implementação da mediação como pedagogia e cultura de pacificação dos conflitos e das relações humanas.
(2008/06/09 | Diálogos mediação)
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